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Doenças que mais geram auxílio-doença no INSS

Patrícia Steffanello | Assessoria de Comunicação

Imagem: Pixabay

Dores na coluna, hérnia de disco, ansiedade e depressão estão entre os problemas de saúde que mais afastam trabalhadores no Brasil e podem levar ao pagamento do auxílio-doença, hoje chamado de auxílio por incapacidade temporária.


O benefício é pago pelo INSS quando o segurado comprova, por perícia médica, que está temporariamente incapaz de trabalhar por mais de 15 dias consecutivos por causa de doença ou acidente.


Doença sozinha não garante o benefício


Uma dúvida comum entre trabalhadores é: “qual doença dá direito ao auxílio-doença?”

A resposta é: não existe uma lista fechada de doenças que garantem automaticamente o benefício.


O que o INSS analisa é se aquela doença ou lesão impede a pessoa de exercer sua atividade profissional naquele momento.


Isso significa que duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem ter resultados diferentes.

Por exemplo: uma hérnia de disco pode afetar de forma muito mais grave um pedreiro, uma diarista ou um motorista do que alguém que exerce uma atividade administrativa, dependendo da intensidade da dor, das limitações e das exigências do trabalho.


Por isso, o ponto principal não é apenas o nome da doença, mas a incapacidade para o trabalho.

Dores nas costas lideram os afastamentos


As dores nas costas aparecem entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil.

Segundo levantamento divulgado com base em dados do Ministério da Previdência Social, mais de 4,12 milhões de trabalhadores precisaram se afastar temporariamente por motivos de saúde em 2025. A dorsalgia, termo usado para dores nas costas, apareceu pelo terceiro ano seguido como uma das principais causas de concessão de auxílio por incapacidade temporária.

Problemas como dor lombar, hérnia de disco, lesões na coluna e outras doenças musculoesqueléticas costumam gerar muitos pedidos ao INSS porque afetam diretamente a capacidade de locomoção, esforço físico e permanência em pé ou sentado por longos períodos.


Entre as doenças e condições mais comuns estão:

  • dores na coluna;
  • hérnia de disco;
  • lombalgia;
  • lesões nos ombros;
  • problemas nos joelhos;
  • tendinites;
  • lesões por esforço repetitivo;
  • doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho.


Essas condições podem atingir trabalhadores de várias áreas, como serviços gerais, construção civil, transporte, comércio, limpeza, saúde, indústria e atividades rurais.


Transtornos mentais também estão entre as principais causas

Além das doenças físicas, os transtornos mentais têm ganhado destaque nos afastamentos pelo INSS.


Em 2025, transtornos de ansiedade e episódios depressivos apareceram entre as principais causas de concessão de benefícios por incapacidade temporária. Os transtornos de ansiedade geraram 166.489 benefícios, enquanto os episódios depressivos foram responsáveis por 126.608 concessões, segundo dados divulgados pela Agência Brasil e reproduzidos por veículos de imprensa.


Esses casos exigem atenção porque nem sempre a incapacidade é visível.

Uma pessoa com depressão grave, crise de ansiedade, síndrome do pânico ou burnout pode não conseguir manter rotina, concentração, contato com o público, tomada de decisões ou cumprimento de jornada.


Mesmo assim, é comum que segurados tenham dificuldade para comprovar a incapacidade, principalmente quando apresentam apenas atestados simples ou documentos médicos pouco detalhados.


Nessas situações, laudos, relatórios psicológicos ou psiquiátricos, histórico de tratamento e receitas de medicamentos podem fazer diferença na análise.

Outras doenças que podem levar ao auxílio-doença


Embora cada caso dependa da análise individual, algumas doenças aparecem com frequência nos pedidos de auxílio por incapacidade temporária.


Entre elas estão:

  • doenças ortopédicas;
  • doenças neurológicas;
  • câncer;
  • doenças cardíacas;
  • sequelas de AVC;
  • doenças respiratórias graves;
  • doenças renais;
  • doenças autoimunes;
  • transtornos psiquiátricos;
  • complicações após cirurgias;
  • acidentes de qualquer natureza;
  • doenças ocupacionais.


O importante é entender que o INSS não avalia apenas o diagnóstico.

A perícia observa se o segurado está temporariamente incapaz para a sua atividade habitual e se existe previsão de recuperação.


Quando a incapacidade é total e permanente, sem possibilidade de reabilitação para outra função, o caso pode ser analisado como aposentadoria por incapacidade permanente. Mas isso depende de avaliação médica e jurídica específica.


Quais documentos ajudam no pedido?

Muitos benefícios são negados porque o segurado não apresenta documentos suficientes para demonstrar a incapacidade.


Entre os documentos mais importantes estão:

  • atestados médicos atualizados;
  • laudos com descrição da doença;
  • exames de imagem;
  • receitas de medicamentos;
  • relatórios de acompanhamento;
  • prontuários;
  • documentos de internação;
  • relatório do fisioterapeuta, psicólogo ou terapeuta ocupacional, quando houver;
  • carteira de trabalho;
  • comprovantes de contribuição ao INSS;
  • descrição da atividade profissional.


O ideal é que o relatório médico explique não apenas a doença, mas também como ela impede o trabalhador de exercer sua função.


Por exemplo: não basta dizer que o segurado tem hérnia de disco. É importante indicar quais movimentos estão limitados, se há dor intensa, uso de medicação, necessidade de repouso, risco de agravamento e tempo estimado de afastamento.

O que fazer se o INSS negar o auxílio-doença?


Quando o INSS nega o auxílio-doença, o segurado deve primeiro verificar o motivo do indeferimento.


A negativa pode ocorrer por vários motivos, como:

  • perícia contrária;
  • falta de qualidade de segurado;
  • carência insuficiente;
  • ausência de documentos médicos;
  • divergência entre laudo e atividade profissional;
  • pedido feito com informações incompletas;
  • entendimento de que não há incapacidade.


Dependendo do caso, é possível apresentar recurso administrativo, fazer um novo pedido ou buscar a Justiça.


Antes de tomar qualquer decisão, é importante avaliar se os documentos estão completos, se o laudo médico está bem elaborado e se o vínculo com o INSS foi corretamente reconhecido.


Análise previdenciária pode evitar prejuízos


O auxílio-doença é um benefício essencial para quem está sem condições de trabalhar e depende da renda para manter despesas básicas.


Por isso, quando há doença, acidente ou afastamento prolongado, o segurado precisa ter cuidado com a documentação e com os prazos.


Uma análise previdenciária pode ajudar a identificar se o trabalhador cumpre os requisitos, quais documentos precisam ser reforçados e qual caminho é mais adequado em caso de negativa.


A orientação correta também evita que o segurado perca tempo com pedidos incompletos ou aceite uma decisão negativa sem saber se ainda há possibilidade de contestação.

Fonte da informação


As informações sobre o benefício foram conferidas em página oficial do INSS, que define o auxílio por incapacidade temporária como benefício devido ao segurado temporariamente incapaz para o trabalho por mais de 15 dias.


Os dados sobre afastamentos em 2025 foram divulgados com base em levantamento do Ministério da Previdência Social e publicados por veículos jornalísticos, apontando dores nas costas, ansiedade e depressão entre as principais causas de concessão de benefícios por incapacidade temporária.